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Sobre Rogério Cavalcanti

Nasci no interior de Minas Gerais e transferiu-se para Belo Horizonte em 1990. Na capital, obteve o título de mestre em ciência da informação e tornou-se professor universitário. Foi educador de rua, alfabetizador de adultos e agente cultural.

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O imaginário social

Rogério Cavalcanti

O imaginário social é o “modo de ser” da sociedade. É , ao mesmo tempo, algo pronto e a ser feito. É algo instituído e se instituindo. É histórico e social. Todas as sociedades, em todas as épocas, criaram imagens ou representações sobre suas próprias vidas sociais. No entanto, o imaginário, na tradição do pensamento ocidental, quase sempre teve sua importância relegada ao segundo plano no processo de análise das organizações políticas e sociais modernas.

Os teóricos tendiam a considerar o imaginário como um tipo de ilusão, quimera, máscara, enfim, alguma coisa que não seria real e que, por isso, não poderia ter uma atuação efetiva na prática do “verdadeiro” mundo social.

Nesta perspectiva, Baczko (1985: 297-9) afirma que esses teóricos abordavam a questão do imaginário social como se ele fosse alguma coisa fantástica, que serviria simplesmente para encobrir aquelas que seriam consideradas as “verdadeiras relações sociais”, estas ocorridas exclusivamente no mundo material. A vida material era considerada como a “única vida real” e o imaginário seria utilizado apenas para ornamentar ou falsear as relações sociais surgidas neste contexto. Tais pensadores buscavam enxergar o sujeito por trás do imaginário, desnudá-lo e desmistifica-lo. Os agentes sociais eram captados sem suas “roupagens”, suas expectativas e suas representações simbólicas. A segunda metade do século XIX foi, por excelência, a época desse culto excessivo à racionalidade científica. Não se pensava que o imaginário social pudesse ter alguma relação mais estreita com a vida social em suas várias dimensões.

Mas o imaginário, no pensamento político e social contemporâneo, toma um outro lugar. Ele passa a ser visto como um eixo orientador para a vida social e individual, como elemento constitutivo do político, do cultural, conferindo sentido às ações sociais. Desse modo, o imaginário surge como sendo a própria essência da sociedade, a força criadora e mantenedora da ordem social, assim como o seu próprio fator de transformação, enfim, o “motor histórico social”.

O imaginário social não é simplesmente, segundo Castoriadis (1986), a imagem de alguma coisa. É uma “criação incessante e essencialmente indeterminada (social-histórica e psíquica) de figuras / formas / imagens, a partir das quais somente é possível falar-se de ‘alguma coisa’. Aquilo que denominamos ‘realidade’ e ‘racionalidade’ são seus produtos” (p.13).

Foto por Olga Lioncat em Pexels.com

Nesta visão, todo pensamento acerca da sociedade e da história pertencem, em si mesmo, à sociedade e à história. Todo pensamento, independentemente de qual seja o seu objeto, é apenas uma forma do “fazer” e do “ser” social e histórico. Isto é; o pensamento (a imaginação) é uma forma de entendimento do mundo, de reflexão e da possibilidade que ele se transforme a partir da emergência de novas formas de pensamento, de novas formas de imaginário que se fundem no meio social.

O pensamento racional, o processo de “elucidação”, é o trabalho que o homem utiliza para refletir sobre o que faz e de saber o que pensa. A sociedade é, então, uma criação infinita de pensamentos, de imagens sobre o “fazer” e o “dizer” (pensar) dos homens. O “fazer” e o “dizer” se institucionalizam e se transformam através da história. A partir do momento em que uma forma de pensamento / imaginação se institui na sociedade e, ao mesmo tempo, institui um modo de “fazer” e “dizer” do social, as suas próprias incoerências ou resistências possibilitam a criação de novas formas de pensamento, do “fazer” e do “valer” sócio-histórico. Tais formas são avaliadas e discutidas por outros critérios que não mais os anteriormente instituídos.

Um imaginário ou outro, assim como a fusão deles, são momentos e formas de auto criação da sociedade. De acordo com Castoriadis (1986), o mundo social é a todo momento constituído e articulado em torno de um determinado sistema de significações simbólicas, o que o autor denominou de “imaginário efetivo” ou o “imaginado”. O simbolismo institucional e a funcionalidade do social só podem ser compreendidos apelando-se para uma análise da rede de relações simbólicas existentes num dado contexto social histórico.

O papel das significações imaginárias é o de fornecer uma identidade para o social, dar uma resposta, uma explicação coerente para aquilo que praticamente todo mundo se pergunta: Quem somos e o que queremos?

Ao responder essas perguntas é que uma sociedade se constitui. E as perguntas, assim como as respostas surgem durante o processo do “fazer” de cada sociedade, ou seja, em sua atividade histórica, política e cultural. Dito de outra maneira, o papel das significações imaginárias é o de fornecer respostas sobre nós mesmos, enquanto uma coletividade. Respostas que não podem ser fornecidas nem pela “realidade” e nem pela “racionalidade”, a não ser num sentido muito específico. O “ser” da coletividade é dado a partir do momento em que cada um se define e é definido pelos outros em relação a um “nós”. Mas o que é uma coletividade? É, antes de tudo, um sistema de símbolos, as suas próprias insígnias de existência. Tal significante remete a significados de qualidade e de propriedade sociais. E um significado é nada mais que um nome. Não é “real” e nem “racional”, mas, imaginário. Esse significado se constitui, adquire peso e se materializa na instituição que tem a função de colocar a sociedade como existente, de responder a pergunta de seu “ser” e de sua identidade, referindo-os à símbolos que a unem a uma outra “realidade”.

O imaginário social, na visão de Castoriadis (1986), tem um efeito real sobre a sociedade. A imagem sobre o mundo social é, ao mesmo tempo, a imagem de quem pensa e age no mundo; ou como frisa o autor: “Um sistema de significações determina escolhas que valorizam e desvalorizam, estruturam e hierarquizam um conjunto cruzado de objetos e de faltas correspondentes, no qual pode-se ‘ler’ mais facilmente do que em qualquer outro, essa coisa tão incerta como incontestável que é a orientação de uma sociedade” (p.81).

BACZCKO, Bronislaw. Imaginação social. In: Enciclopédia Einaudi. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, v.05, 1985.

CASTORIADIS,Cornelius. A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

Chique é consumir de forma consciente e barata

Rogério Cavalcanti

Quem está antenado com o universo da moda já percebeu que a tendência atual – e para os próximos anos – é a sustentabilidade ligada ao consumo de roupas e acessórios, além de outros tipos de produtos. Esta ideia inovadora vem angariando cada vez mais adeptos dos mais variados estilos por todo o mundo, inclusive aqui no Brasil. Por estas bandas é possível notar como tem aumentado vertiginosamente o número de pessoas, famosas ou não, que frequentam bazares e brechós espalhados pelas diversas cidades do nosso país e também pela Internet.

Acontece que bazares e brechós estão se tornando lugares ideais para quem busca encontrar uma peça exclusiva e de qualidade a preços atraentes, bem abaixo dos praticados pelo mercado.

Além disso, esses lugares cheios de charme e bastante descolados representam mais do que simplesmente uma loja de roupas ou de objetos usados. Eles simbolizam um estilo de vida livre e despojado, próprio de uma pessoa consciente das questões que envolvem a vida em sociedade e sua relação com a economia e com a natureza. Num bazar ou num brechó bem incrementado, é possível encontrarmos soluções pontuais para nossa casa e estilo e, também, nos encantarmos com as belas surpresas que nos aguardam, cada uma mais interessante do que a outra.

Atualmente, lugares como esses se encontram espalhados pelo mundo inteiro e, como disse lá em cima, vem ganhando adeptos entre as mais variadas celebridades. Uma delas, a Top Gisele Bündchen, segundo consta, costuma frequentar brechós na cidade de Nova Iorque. Outro caso famoso é o da atriz Julia Roberts que participou da cerimônia de entrega do Oscar vestindo um modelo que, conforme ela própria declarou, foi comprado em um brechó por uma bagatela de nada mais do que 20 dólares. Até mesmo a atriz de Hollywood, Nicole Kidman, também já revelou ser uma cliente assídua de brechós como afirma Sandra Parani no seu artigo “A sustentabilidade da moda brechó”.

Como dá para notar, este segmento atrai um público bastante variado e exigente que, além de artistas e celebridades, costuma também ser frequentado por pessoas de diferentes idades e classes sociais.

E essas pessoas buscam encontrar, além de preços mais em conta, artigos originais e únicos, o que é outra vantagem oferecida nesses lugares alternativos: a exclusividade dos artigos, pois, raramente alguém terá outra peça igual a sua. Isso quer dizer que fazer compras em um bazar ou em um brechó não é a mesma coisa que ir ao shopping, por exemplo, onde encontramos expostas várias peças da mesma roupa ou modelo, porém em tamanhos e cores variados.

Que o consumidor atual está mais exigente e mais consciente de suas atitudes e responsabilidades, nós já sabemos; e uma consequência disso é que vem crescendo também a ideia de que comprar em bazar ou brechó é estar super na moda, ou seja, ser chique de uma maneira mais ampla, pois significa, antes de tudo, uma atitude inovadora e uma defesa criativa das práticas de sustentabilidade. Exatamente! Ao comprar uma peça seminova ou de segunda mão, você vai contribuir para que novas peças de roupas deixem de ser produzidas, colaborando direta e indiretamente na redução do uso de matérias-primas e insumos que serão utilizados na fabricação das roupas que usamos. Dessa forma, com o consumo consciente e sustentável, estaremos contribuindo para a preservação do meio ambiente, além de economizar uma boa grana. Não é o máximo? Pois é… Num bazar ou brechó bem estruturado podemos encontrar praticamente de tudo, como peças de roupas e acessórios que, por algum motivo, nunca foram usados ou que foram pouco ou quase nada utilizados, peças provenientes de lojas que faliram ou de coleções passadas de grifes e coisas desse tipo. Além de roupas, calçados, cintos, bolsas e carteiras, é possível encontrarmos também móveis antigos e novos, bicicletas, brinquedos, objetos de arte, equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, louças, bijuterias e utensílios de uso doméstico em geral e otras cositas más.

Foto por cottonbro em Pexels.com

Enfim, com tudo isso dá pra dizer que um bom bazar ou um brechó, além de representar uma economia e tanto no orçamento e um incremento exclusivo no visual, ainda pode ser a solução para muitos artigos e produtos que “já não têm mais utilidade para seus antigos donos, mas que podem perfeitamente ser úteis para novos donos”1. Portanto, quem deseja economizar e, além disso, preservar o meio ambiente e praticar a sustentabilidade de forma eficiente e consciente, não pode deixar de seguir à risca a orientação dos 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar! E onde mais poderíamos praticar esta ideia de forma tão prazerosa senão visitando, seja no mundo físico ou no virtual, um belo, gracioso e exuberante bazar? Por isso é sempre bom lembrar: estar na moda é preservar a natureza; “chique é comprar barato”.

1 Sandra Parani. A sustentabilidade da moda brechó. (http://www.artigonal.com/meio-ambiente-artigos/a-sustentabilidade-da-moda-brecho-6777729.html).

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Como Analisar a pirâmide etária? Nesta aula de Geografia da população, o Prof Silvester explica como Ler e entender as Pirâmides Etárias, a utilidade, a população economicamente ativa e inativa, os elementos, a taxa de natalidade e mortalidade, expectativa de vida e muito mais!