Chique é consumir de forma consciente e barata

Rogério Cavalcanti

Quem está antenado com o universo da moda já percebeu que a tendência atual – e para os próximos anos – é a sustentabilidade ligada ao consumo de roupas e acessórios, além de outros tipos de produtos. Esta ideia inovadora vem angariando cada vez mais adeptos dos mais variados estilos por todo o mundo, inclusive aqui no Brasil. Por estas bandas é possível notar como tem aumentado vertiginosamente o número de pessoas, famosas ou não, que frequentam bazares e brechós espalhados pelas diversas cidades do nosso país e também pela Internet.

Acontece que bazares e brechós estão se tornando lugares ideais para quem busca encontrar uma peça exclusiva e de qualidade a preços atraentes, bem abaixo dos praticados pelo mercado.

Além disso, esses lugares cheios de charme e bastante descolados representam mais do que simplesmente uma loja de roupas ou de objetos usados. Eles simbolizam um estilo de vida livre e despojado, próprio de uma pessoa consciente das questões que envolvem a vida em sociedade e sua relação com a economia e com a natureza. Num bazar ou num brechó bem incrementado, é possível encontrarmos soluções pontuais para nossa casa e estilo e, também, nos encantarmos com as belas surpresas que nos aguardam, cada uma mais interessante do que a outra.

Atualmente, lugares como esses se encontram espalhados pelo mundo inteiro e, como disse lá em cima, vem ganhando adeptos entre as mais variadas celebridades. Uma delas, a Top Gisele Bündchen, segundo consta, costuma frequentar brechós na cidade de Nova Iorque. Outro caso famoso é o da atriz Julia Roberts que participou da cerimônia de entrega do Oscar vestindo um modelo que, conforme ela própria declarou, foi comprado em um brechó por uma bagatela de nada mais do que 20 dólares. Até mesmo a atriz de Hollywood, Nicole Kidman, também já revelou ser uma cliente assídua de brechós como afirma Sandra Parani no seu artigo “A sustentabilidade da moda brechó”.

Como dá para notar, este segmento atrai um público bastante variado e exigente que, além de artistas e celebridades, costuma também ser frequentado por pessoas de diferentes idades e classes sociais.

E essas pessoas buscam encontrar, além de preços mais em conta, artigos originais e únicos, o que é outra vantagem oferecida nesses lugares alternativos: a exclusividade dos artigos, pois, raramente alguém terá outra peça igual a sua. Isso quer dizer que fazer compras em um bazar ou em um brechó não é a mesma coisa que ir ao shopping, por exemplo, onde encontramos expostas várias peças da mesma roupa ou modelo, porém em tamanhos e cores variados.

Que o consumidor atual está mais exigente e mais consciente de suas atitudes e responsabilidades, nós já sabemos; e uma consequência disso é que vem crescendo também a ideia de que comprar em bazar ou brechó é estar super na moda, ou seja, ser “chic” de uma maneira mais ampla, pois significa, antes de tudo, uma atitude inovadora e uma defesa criativa das práticas de sustentabilidade. Exatamente! Ao comprar uma peça seminova ou de segunda mão, você vai contribuir para que novas peças de roupas deixem de ser produzidas, colaborando direta e indiretamente na redução do uso de matérias-primas e insumos que serão utilizados na fabricação das roupas que usamos. Dessa forma, com o consumo consciente e sustentável, estaremos contribuindo para a preservação do meio ambiente, além de economizar uma boa grana. Não é o máximo? Pois é… Num bazar ou brechó bem estruturado podemos encontrar praticamente de tudo, como peças de roupas e acessórios que, por algum motivo, nunca foram usados ou que foram pouco ou quase nada utilizados, peças provenientes de lojas que faliram ou de coleções passadas de grifes e coisas desse tipo. Além de roupas, calçados, cintos, bolsas e carteiras, é possível encontrarmos também móveis antigos e novos, bicicletas, brinquedos, objetos de arte, equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, louças, bijuterias e utensílios de uso doméstico em geral e otras cositas más.

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Enfim, com tudo isso dá pra dizer que um bom bazar ou um brechó, além de representar uma economia e tanto no orçamento e um incremento exclusivo no visual, ainda pode ser a solução para muitos artigos e produtos que “já não têm mais utilidade para seus antigos donos, mas que podem perfeitamente ser úteis para novos donos”1. Portanto, quem deseja economizar e, além disso, preservar o meio ambiente e praticar a sustentabilidade de forma eficiente e consciente, não pode deixar de seguir à risca a orientação dos 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar! E onde mais poderíamos praticar esta ideia de forma tão prazerosa senão visitando, seja no mundo físico ou no virtual, um belo, gracioso e exuberante bazar? Por isso é sempre bom lembrar: estar na moda é preservar a natureza; “chique é comprar barato”.

1 Sandra Parani. A sustentabilidade da moda brechó. (http://www.artigonal.com/meio-ambiente-artigos/a-sustentabilidade-da-moda-brecho-6777729.html).